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Vivemos dentro dum poço profundo

Autor A. Dias

Tudo nos faz pensar que vivemos numa época fantástica … cheia de tecnologia … de informação, ao ponto que certas pessoas pensam que com toda esta tecnologia e esta época tão fantástica, a humanidade avançaria neste século XXI.

Muitos dizem e eu concordo que o século XX foi um século de barbaridade.

A primeira, e a segunda guerra mundial, tipo massacre nunca se tinha visto antes . Depois veio a guerra no Vietname. As guerras de libertação e de auto determinação de povos que viviam debaixo do jugo do colonialismo.
Havia os ditadores e as ditaduras [ainda hoje], aquelas que foram impostas pela CIA, em alguns países da América Central.

Que viram democracias e povos assassinados em nome dos Estados Unidos dessa América do Norte poderosa e intransigente, que dá lições de democracia ao mundo, mas que em cada canto das suas “monstruosas cidades de betão e de aço” é fecunda da mais profunda miséria e destreza humana.

E de repente alguns descobrem, que para além dos ditadores, outros ditadores ainda mais cruéis surgem em cada canto do mundo, em cada esse canto onde a ignorância, a falta escolas e de educação, a pobreza e a miséria criada pelos seus dirigentes, conduzem centenas de milhares de pessoas inocentes diretamente para os cemitérios.

Em certos países da África do Norte, no Próximo e Médio Oriente, em nome duma religião “dita” islâmica [e não a da crença e da religião muçulmana], loucos de todas as espécies se fazem a guerra e assassinam os seus próprios povos e países.

Esta loucura de guerra, tem as suas raízes e a sua existência nas profundezas dessa falta de educação, da ignorância, da miséria e da pobreza ao qual durante séculos foram e são submetidos esses povos em parte uns pelos colonizadores.
Outros pelos ditadores e ditaduras que se implantaram.
Pela corrupção que alastrou. E, o roubo permanente sem vergonha das suas próprias riquezas.

E tem sido assim que em nome talvez desse inimigo comum que existiu e que existe, que roubou e rouba, continua a pilhar as riquezas desses povos, obriga e conduzem estes últimos, a procurarem subsistência em outras partes do globo.
À causa dessa monstruosa miséria.
Das ditaduras ainda existentes.
Dos conflitos armados.
Das guerras “ditas” santas em nome de Ala, eles fogem e batem às portas do Continente europeu.
Mas as portas têm tendência a não se abrirem.

E de repente aqueles que esperavam encontrar um refúgio de paz e de liberdade encontram-se diante das portas abertas de um novo inferno (racismo, exclusão social, miséria, pobreza ... )
Esta época fantástica … cheia de tecnologia … de informação, não passa de areia que sopra com um vento forte e cega toda a gente, os avisados e os não avisados politicamente e socialmente.

Deste lado do continente europeu, já ninguém sabe se vive numa sociedade social democrata ou num neoliberalismo, onde o egoísmo é agora superior a aquela luz de humanidade, da fraternidade, e de justiça que existia nesse século de barbaridade que foi o XX° século.

Dum lado como do outro da Terra, os ditadores não desapareceram.
A corrupção continua a existir.
Continuam-se a fomentar golpes de Estado
As novas ditaduras e ditadores e o neoliberalismo continua a se impor e impõem-se, mas desta vez em empobrecendo os países, os cidadãos e instalam a sua democracia social que é essa política calculada do neoliberalismo, que fazem passar aos olhos da opinião por da social democracia.

Hoje poder da democracia universal não está nas mãos do cidadão mas nas mãos das monstruosas oficinas financeiras internacionais, que ditam aos governos aquilo que eles devem ou não fazer.
E foi assim que em assassinando as democracias.
Eles conseguem vergar a espinha aos cidadãos.
Vão lhes retirando os direitos obtidos pelas suas lutas, cortam os salários, destroem a educação.
Matam e destroem o direito universal à saúde.
Provocam a miséria e a pobreza.
Condenam nações e povos inteiros a se expatriarem para não morrerem de fome eles e as suas famílias.
E nós cidadãos olhamos para o que se passa.

Acusamos com facilidade este e aquele partido de não cumprir as suas promessas.
E ao final acabamos por condenar e dizer que todos são iguais, mas não olhamos para nós que escondemos a nossa miséria dentro de nós, e não fomos capazes de pensar no momento oportuno que havia décadas, que nos tinham enterrados todos num poço profundo.

Desse poço profundo podíamos ver a luz do sol e respirar, mas não podíamos dizer nada porque não nos ouviam.
Porque à décadas que estávamos, e fomos todos enterrados nesse poço profundo, e
vivemos dessa mentira universal do neoliberalismo, sem o saber em razão da nossa própria ignorância, e talvez da nossa estupidez de pensar; que devíamos fazer confiança naqueles que nos governaram ou governavam

Nota : artigo (in extenso) da minha autoria que foi publicado no jornal dos portugueses de Zurique (Suíça).
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